Sexta-feira, uma semana depois. Qualquer pub em Nova York.
- Eu quero dedicar essa música à uma pessoal muito especial. É de uma banda que ela me mostrou e... - Aus bagunçou os cabelos, Fernada estava com um sorriso radiante, mas para mim, meu drink era mais interessante - Enfim... Lucy, essa é pra você. - ele sorriu.Austin fez sinal pros garotos e eles começaram a introdução de Whoever She Is, meu queixo foi parar no chão, porquê... The Maine era a minha banda! Não dela, tampouco deles. Fernanda estava no mínimo chocada e eu ri da reação dela, Helena tinha sumido à alguns minutos com um cara qualquer e Margareth estava sentada na frente do palco junto com Lucy e uma loira - que supus ser Brianna.
- Isa... Como assim ele te chama pra vir pra cá e dedica uma música da sua banda favorita pra outra? - dei de ombros - Isabella, não finja que você está pouco se importando com isso! Sei que está arrasada.
- Eu quero mais é que ele se foda. Vim pra aproveitar a música e a bebida, Fernanda. Não por causa do Austin.
Minha voz saiu mais confiante do que eu esperava, e por mais que eu tivesse essa pose de foda-se, realmente estava vacilante e tremendamente fodida. Empinei o nariz como eu faria e ajeitei minha postura. Eu estava pouco me danando para o quê Faraday sentia por mim, eu só precisava do álcool. Me levantei da cadeira e me afastei um pouco da mesa.
- Vai aonde, senhorita?
- No bar. Você quer alguma coisa?
- Me traz um refrigerante.
Ferda deu de ombros e eu rumei pro bar, relando em pessoas suadas e quase tropeçando em idiotas que se colocavam na minha frente. Open bar só não era melhor do que ouvir Andrew errando a letra. Eu cantarolava a música junto com a voz de Austin e admito que aquilo doía, mas eu não ligava.
- Um martini, por favor. E um refrigerante. - o barman riu da minha cara e foi buscar.
Prestei atenção na letra... Algumas partes se encaixavam comigo. Minha situação atual, talvez fosse besteira, mas tinha sentido. A música terminou e todos aplaudiram, alguns até em pé. McChurdy pingava suór e sua camiseta preta estava colada ao corpo, eles agradeceram e logo iniciaram The Way We Talk. À quanto tempo eu não ouvia isso mesmo? Bebi meu martini e andei até a mesa, deixei o refrigerante de Ferda lá e me fui pra pista de dança. Eu não perderia a oportunidade. Gargalhei, essa música me lembrava Andrew. Deixei que meu corpo se soltasse, algo que eu tinha aprendido finalmente como fazer - claro, com a ajuda da bebida.
Os garotos perceberam que o pessoal tinha gostado dos covers de The Maine, então continuaram. Undressing the Words. Não me pergunte como eu dançava com músicas como essas, apenas dançava. Eu ouvia provocações e tinha vontade de rir. Eu não queria chamar atenção, mas eu sabia que chamava. Eles tocaram mais algum cover do Blink e alguns do Foo Fighters. Depois os garotos se despediram, agradecendo a platéia e outra banda subiu ao palco. Vi de relance Lucy pular nos ombros de Austin e ele à rodar no ar, fazendo seu vestido preto e bem acinturado voar. Revirei os olhos e volteiparao bar, me sentei num banquinho e notei a presença de Jesse ao meu lado. Ele pingava de suor e estava radiante, cantarolava uma música do Capital e eu sorri. Senti falta do Brooks. Seu corpo continuava magro e bem malhado, seus cabelos iam até os ombros e ele tinha a sua mesma franjinha, usava uma camisa do Sepultura com uma camiseta xadrez azul escura por cima e uma calça jeans super colada. Nos seus pés tinha uns Vans o que o deixava com o seu querido estilo alternativo, ou como diria o próprio: grunge.
- Salve, Brooks. - dei um meneio de cabeça assim que ele olhou para mim. Jesse encarou minhas pernas descaradamente e eu ri.
- Isa?! Oi. - ele riu.
- Bom show. Tocaram bem. A setlist foi bem feita... - ele sorriu de canto.
- Ah, coisa da Lucy, né. - virei o rosto e revirei os olhos novamente.
- Claro. - sorri cinicamente.
Continuei bebericando minha bebida e ele tinha já deixado o banco ao meu lado. Quando terminei e já estava com a cabeça começando a latejar, coloquei os pés no chão e me arrastei até o banheiro, no qual apoiei os braços sobre a bancada e encarei meu reflexo no espelho: eu estava ainda mais apagada. Tirei de dentro de minha cartela de cigarros um remédio para dor e o tomei. Joguei uma água no rosto e respirei fundo.
- Se recuperando? - a voz de Brianna ecoou pelo banheiro assim como o toc toc de seus saltos.
- Sabe como é, com o tempo se pega prática. - afastei o cabelo do rosto e a encarei. Dei mais um de meus sorrisos cínicos - Olá, Jonhson. Aproveitando a festa?
- À minha maneira sim, Isabella. E você? Se embebedando, fumando? Forma madura de aproveitar uma noite de sexta. - ri ironicamente.
- Quem é você pra falar de maturidade, Brianna. Trocava falar sobre assuntos realmente bons para falar sobre as suas fantásticas noites cor-de-rosa com as meninas dos anos iniciais. Adulta que só vendo.
- Não vou perder meu tempo com você. Preciso procurar meu namorado, com licença. - ela empinou o nariz e a bunda e saiu do banheiro. Encarei o espelho e vi minha própria reação de incredulidade.
Levantei os ombros, ajeitei meu vestido e saí também. Fui para minha mesa onde encontrei uma Helena debruçada e com os olhos borrados do lápis. Evidentemente abalada.
- Els, o que houve?
- Ai, Isa. Eu quero ir pra casa. - ela falou chorosa.
- Ok, fica aí que eu vou atrás da Ferda, tudo bem?!
Ela assentiu e eu saí sozinha pelo pub procurando por Fernanda. Tudo bem, Isabella. Mechas vermelhas e cabelo preto. Merda, qual era mesmo a cor do vestido dela? Rodei a festa toda e nem sinal, corri até o banheiro, passando entre as pessoas - cerca de noventa por cento estavam bêbadas - e quando cheguei ao banheiro encontrei não Ferda, mas uma Megan chorando no canto do banheiro.
- Megan, meu Deus, o que aconteceu?
- O Andrew... Tava... Se atracando com uma vadia! - ela soluçava e continha raiva em sua voz.
E eu fiquei com raiva dele também. Eu queria matar o McChurdy. Eu sabia o quanto doía. Eu queria ver a minha menor sorrindo e jamais naquele estado.
- Shawty, vem, vamos sair daqui. Eu te levo pro meu apartamento, tudo bem?
Megan concordou e saímos do banheiro, Helena estava com uma Fernanda completamente bêbada apoiada nos seus ombros e eu concluí que a noite seria foda.