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17 de set. de 2013

Você é atensiosa mas morre por atenção.

Sexta-feira, uma semana depois. Qualquer pub em Nova York.
 - Eu quero dedicar essa música à uma pessoal muito especial. É de uma banda que ela me mostrou e... - Aus bagunçou os cabelos, Fernada estava com um sorriso radiante, mas para mim, meu drink era mais interessante - Enfim... Lucy, essa é pra você. - ele sorriu.
 Austin fez sinal pros garotos e eles começaram a introdução de Whoever She Is, meu queixo foi parar no chão, porquê... The Maine era a minha banda! Não dela, tampouco deles. Fernanda estava no mínimo chocada e eu ri da reação dela, Helena tinha sumido à alguns minutos com um cara qualquer e Margareth estava sentada na frente do palco junto com Lucy e uma loira - que supus ser Brianna.
 - Isa... Como assim ele te chama pra vir pra cá e dedica uma música da sua banda favorita pra outra? - dei de ombros - Isabella, não finja que você está pouco se importando com isso! Sei que está arrasada.
 - Eu quero mais é que ele se foda. Vim pra aproveitar a música e a bebida, Fernanda. Não por causa do Austin.
 Minha voz saiu mais confiante do que eu esperava, e por mais que eu tivesse essa pose de foda-se, realmente estava vacilante e tremendamente fodida. Empinei o nariz como eu faria e ajeitei minha postura. Eu estava pouco me danando para o quê Faraday sentia por  mim, eu só precisava do álcool. Me levantei da cadeira e me afastei um pouco da mesa.
 - Vai aonde, senhorita?
 - No bar. Você quer alguma coisa?
 - Me traz um refrigerante.
 Ferda deu de ombros e eu rumei pro bar, relando em pessoas suadas e quase tropeçando em idiotas que se colocavam na minha frente. Open bar só não era melhor do que ouvir Andrew errando a letra. Eu cantarolava a música junto com a voz de Austin e admito que aquilo doía, mas eu não ligava.
 - Um martini, por favor. E um refrigerante. - o barman riu da minha cara e foi buscar.
 Prestei atenção na letra... Algumas partes se encaixavam comigo. Minha situação atual, talvez fosse besteira, mas tinha sentido. A música terminou e todos aplaudiram, alguns até em pé. McChurdy pingava suór e sua camiseta preta estava colada ao corpo, eles agradeceram e logo iniciaram The Way We Talk. À quanto tempo eu não ouvia isso mesmo? Bebi meu martini e andei até a mesa, deixei o refrigerante de Ferda lá e me fui pra pista de dança. Eu não perderia a oportunidade. Gargalhei, essa música me lembrava Andrew. Deixei que meu corpo se soltasse, algo que eu tinha aprendido finalmente como fazer - claro, com a ajuda da bebida.
 Os garotos perceberam que o pessoal tinha gostado dos covers de The Maine, então continuaram. Undressing the Words. Não me pergunte como eu dançava com músicas como essas, apenas dançava. Eu ouvia provocações e tinha vontade de rir. Eu não queria chamar atenção, mas eu sabia que chamava. Eles tocaram mais algum cover do Blink e alguns do Foo Fighters. Depois os garotos se despediram, agradecendo a platéia e outra banda subiu ao palco. Vi de relance Lucy pular nos ombros de Austin e ele à rodar no ar, fazendo seu vestido preto e bem acinturado voar. Revirei os olhos e volteiparao bar, me sentei num banquinho e notei a presença de Jesse ao meu lado. Ele pingava de suor e estava radiante, cantarolava uma música do Capital e eu sorri. Senti falta do Brooks. Seu corpo continuava magro e bem malhado, seus cabelos iam até os ombros e ele tinha a sua mesma franjinha, usava uma camisa do Sepultura com uma camiseta xadrez azul escura por cima e uma calça jeans super colada. Nos seus pés tinha uns Vans o que o deixava com o seu querido estilo alternativo, ou como diria o próprio: grunge.
 - Salve, Brooks. - dei um meneio de cabeça assim que ele olhou para mim. Jesse encarou minhas pernas descaradamente e eu ri.
 - Isa?! Oi. - ele riu.
 - Bom show. Tocaram bem. A setlist foi bem feita... - ele sorriu de canto.
 - Ah, coisa da Lucy, né. - virei o rosto e revirei os olhos novamente.
 - Claro. - sorri cinicamente.
 Continuei bebericando minha bebida e ele tinha já deixado o banco ao meu lado. Quando terminei e já estava com a cabeça começando a latejar, coloquei os pés no chão e me arrastei até o banheiro, no qual apoiei os braços sobre a bancada e encarei meu reflexo no espelho: eu estava ainda mais apagada. Tirei de dentro de minha cartela de cigarros um remédio para dor e o tomei. Joguei uma água no rosto e respirei fundo.
 - Se recuperando? - a voz de Brianna ecoou pelo banheiro assim como o toc toc de seus saltos.
 - Sabe como é, com o tempo se pega prática. - afastei o cabelo do rosto e a encarei. Dei mais um de meus sorrisos cínicos - Olá, Jonhson. Aproveitando a festa?
 - À minha maneira sim, Isabella. E você? Se embebedando, fumando? Forma madura de aproveitar uma noite de sexta. - ri ironicamente.
 - Quem é você pra falar de maturidade, Brianna. Trocava falar sobre assuntos realmente bons para falar sobre as suas fantásticas noites cor-de-rosa com as meninas dos anos iniciais. Adulta que só vendo.
 - Não vou perder meu tempo com você. Preciso procurar meu namorado, com licença. - ela empinou o nariz e a bunda e saiu do banheiro. Encarei o espelho e vi minha própria reação de incredulidade.
 Levantei os ombros, ajeitei meu vestido e saí também. Fui para minha mesa onde encontrei uma Helena debruçada e com os olhos borrados do lápis. Evidentemente abalada.
 - Els, o que houve?
 - Ai, Isa. Eu quero ir pra casa. - ela falou chorosa.
 - Ok, fica aí que eu vou atrás da Ferda, tudo bem?!
 Ela assentiu e eu saí sozinha pelo pub procurando por Fernanda. Tudo bem, Isabella. Mechas vermelhas e cabelo preto. Merda, qual era mesmo a cor do vestido dela? Rodei a festa toda e nem sinal, corri até o banheiro, passando entre as pessoas - cerca de noventa por cento estavam bêbadas - e quando cheguei ao banheiro encontrei não Ferda, mas uma Megan chorando no canto do banheiro.
 - Megan, meu Deus, o que aconteceu?
 - O Andrew... Tava... Se atracando com uma vadia! - ela soluçava e continha raiva em sua voz.
 E eu fiquei com raiva dele também. Eu queria matar o McChurdy. Eu sabia o quanto doía. Eu queria ver a minha menor sorrindo e jamais naquele estado.
 - Shawty, vem, vamos sair daqui. Eu te levo pro meu apartamento, tudo bem?
 Megan concordou e saímos do banheiro, Helena estava com uma Fernanda completamente bêbada apoiada nos seus ombros e eu concluí que a noite seria foda.

6 de set. de 2013

Se for um sonho, não me acorde.

Isabella POV´s.
Quinta avenida, sexta-feira, seis e alguma coisa da tarde (ou noite).

 Me sentei na poltrona de Fernanda e soltei um suspiro pesado. Como eu poderia ter largado minha profissão, meu apartamento e minha vida em Brighton pra vir morar em Nova York? Guardei o que tinha de guardar, fechei a sala e desci pela escada porque sabia que o elevador estava impossível. Depois de passar a tarde revisando as papeladas de Helena e marcar uma apresentação para ela daqui à duas semanas, finalmente tinha saído do meu trabalho e corri para a cafeteria mais próxima. A temperatura  tinha  caído drasticamente, e às vezes eu me esquecia que estávamos em pleno inverno. Os noticiários alertavam altas chances de nevasca, e eu apenas pensava: oh, dane-se! Desde que não afete Nova York estou bem. Ah, perdoe me por meu pensamento egoísta, mas ficar responsável pela vida de uma garota com mais de dezoito estressaria qualquer um. 
 - Isabella? 
 Meus pensamentos de egoísmo foram dispersados por uma voz masculina vindo de algum lugar próximo à mim, olhei em volta e vi do meu lado um cara. Alto, tinha os cabelos castanhos e um sorrisinho torto...
 - Oh, meu Deus! Austin?! - praticamente gritei. Meu estômago revirou e senti minhas mãos suarem, as fechei e senti aquela merda pingar. 
 - Wow, quanto tempo! - ele puxou uma cadeira ao meu lado e se sentou - O que faz aqui?
 - Eu quem te pergunto. - respondi usando um tom óbvio, ele riu. 
 - Eu tenho uma banda agora.
 - Uma banda? - arqueei a sobrancelha - Sua?
 - É... - ele bagunçou os cabelos - Mais ou menos. Sou baterista. 
 Aquele sorrisinho sem graça se formou em seus lábios e eu me contive para não suspirar. Porra, Isabella, porra! Você não tem mais treze anos, sua idiota! Você já tem 18. Ou quase isso. Foda-se. 
 - E você? Se formou em quê? 
 - Anh, então... - como explico pra ele que me formei no que queria e larguei tudo pra vir trabalhar pra uma patricinha mimada? - Me formei em letras, como eu queria. - dei meu sorriso sem graça - Mas estou trabalhando... Pra uma amiga.
- Onde? - pra quê tantas perguntas?
 - Aqui perto. É tipo uma agência...
 Austin arregalou os olhos. 
 - Você é tipo uma modelo? - o jeito com que seu tom de voz saiu me fez rir. 
 - Não! Ela desenha roupas e contrata modelos, na real sou mais tipo uma secretária.
 - Ah, tá. 
 Espera... Ele ficou realmente aliviado com isso? Isabella, pára! Sem pensamentos desse tipo, ele apenas está conversando com você. E te reconheceu depois de anos. Ah, cale a boca.
 - Suas roupas mudaram muito... - seus olhos subiram das minhas pernas para meu rosto.
 - Não foi tanto assim. E você não mudou quase nada. - dei um peteleco em seu nariz e sorri. Austin fez uma careta e bagunçou novamente os cabelos. 
 Avaliando bem, eles estavam mais compridos. E mais bagunçados. Sorri de canto lembrando da dificuldade que sempre tinha em tentar desenhar os cabelos de Austin exatamente por isso: eles eram uma bagunça. Não parecia tanto tempo desde que tínhamos nos visto, mas uau, aqui estou eu, e ele está comigo. Em Nova York! Próximos de uma das nevascas mais fodas dos últimos dez anos. Sentados num café. E ele está me falando sobre a banda dele. Se for um sonho, não me acorde.
 - Hm... Você tem algo marcado pra próxima sexta-feira à noite?
 - Isso seria que dia? - ri um pouco.
 - Dia 18.
 - Uh... Acho que não.
 - Toparia ir ver um show de uma das bandas mais podres do Universo? - um pedido quase suplicante estava naqueles olhos escuros.
 - Se eu puder levar umas groupies...
 - Opa! - rimos - É sério.
 - Eu vou. 
 Austin sorriu. Aquele seu sorriso mais puro, que raramente estampava seus lábios. Os mesmos que eu sentia muita falta de... Merda. Não. 
 - Anh... Acho que preciso ir. Os caras tem um ensaio hoje, e bom... Se eu atrasar Andrew me mata. - Austin se levantou e quando caiu a ficha do que ele havia falado recebi um choque de realidade.
 - Espera! Andrew está aqui?! E ele toca com você?!
 - É... Ele é guitarrista. E vocal também. - o garoto colocava seu casaco.
 - Legal... - tentei não parecer entusiasmada com aquilo, mas saber que McChurdy estava em Manhattan me empolgou. 
 - É... Legal. Então até mais, Isa. 
 Ele veio em minha direção e me deu um beijo na bochecha, junto com um meio abraço. Mas eu não queria apenas aquilo.

Apartamento da Fernanda em algum lugar perto da Quinta Avenida, sexta-feira, quase oito da noite.
 - E aí, Isabella, quem era o gatinho que você tava conversando no café? - Mariana perguntou se jogando no colchão estendido na sala com um pedaço de pizza na mão.
 - Espera! Isabella com um homem? O Mundo vai acabar! - Fernanda falou da cadeira do computador.
 - Não era nada demais... Só um conhecido. - fiz pouco caso.
 - Hum, tá. E conhecidos trocam beijinhos na saída? - Mari falou com um tom de segundas intenções.
 - Mentira! - Ferda se jogou por cima do sofá e me encarou com um sorriso enorme no rosto - Isabella! E não ia contar isso pras amigas? 
 - Achei que não valesse a pena... - dei uma primeira mordida na minha pizza, não estava com muita fome.
 - Nossinhora, que empolgação, hein?! - Fernanda se sentou ao meu lado - E aí, Mari, como ele era?
 - Era bonito. Não muito bonito, mas era bonito... - franzi a testa - Era alto. E gostoso pra caralho. 
 - Era o Austin.
 Falei quase como num sussurro e dei de ombros. Me joguei no colchão e coloquei as mãos atrás da cabeça. Ferda me encarava incrédula. Sua boca estava aberta e seus olhos demonstravam algo que soava como... Preocupação, talvez. 
 - O Faraday?
 - É... - encarei o teto - Ele montou uma banda, sabia?! - um sorriso - Com o Drew. Eles estão em Nova York e vão fazer um show na próxima sexta... É incrível como ele não mudou nada, só cresceu mais ainda! - ri. 
 Ambas não falaram nada. Mari talvez por não saber o que dizer ou fazer, e Fernanda por ver como nada tinha mudado. Ótimo. Meu status atual? Um emprego de merda, hospedada na casa da melhor amiga, um gato sumido, uma nevasca à caminho e um ex-namorado que reaparece das cinzas junto com um ex-melhor amigo e uma banda. Melhor impossível!
 Você entendeu o meu sarcasmo, não é?!